12/12/2009

about the ice queen

Está sempre sorrindo mas tem gênio difícil. Acha que está sempre certa, se irrita com facilidade, é assumidamente egoísta, tem tendência a ser mandona e a fazer piadinhas lésbicas. Gosta de dormir tarde e acordar cedo. É preguiçosa e está eternamente cansada física e mentalmente. Adora psicologia e tem estranho interesse em conhecer detalhes sobre os gostos e a personalidade das pessoas e até de personagens fictícios. Se pergunta constantemente se não faz as coisas por medo ou preguiça e nunca consegue uma resposta conclusiva. Gosta de café com leite, shippers, crianças, cães, dias de folga, música acústica, fotografia, seriados, filmes, comédias românticas e coisas tranquilas e relaxantes.

Ex-roedora de unhas. Amante de chocolate. Colecionadora de baralhos. Gosta de ler, especialmente em dias de chuva. Sonha em ter uma biblioteca exuberante, morar sozinha e ter um fusca. Considera as manhãs a melhor parte do dia. Queria que todos os dias do ano fossem frios, apesar de gostar de banhos de chuva no verão. Tem T.O.C. e por isso está SEMPRE lavando as mãos. Gosta de pouca gente, mas de quem gosta, gosta um pouco demais. É ciumenta com amigos por não gostar de dividir e acha que nunca lhe dão a devida atenção. Está sempre reclamando que nunca tem tempo livre e quando o tem, não faz nada.

Por essas e outras tem plena certeza que não escapa de ir parar em um sanatório até o fim da vida, mas isso é só uma conclusão, não a afeta nem a assusta em nada.

05/12/2009

Walking far Away

Ao som de “You are the Moon



Eu sei, como uma pessoa que tenta entender psicologia, que o maior - se não o único - responsável pelos nossos sentimentos somos nós mesmos e como conduzimos nossos pensamentos. Pensamentos tanto podem nos arrastar para o fundo do poço como podem nos tirar dele, basta saber manuseá-los.

Eu já sabia disso, mas comprovei que estava certa nos primeiros e piores dias, quando um simples pensamento se direcionava para alguns pequenos detalhes e o que eles significavam me esmagava o peito, numa sensação horrível e doentia. Em pouco tempo eu percebi que precisava escapar das lembranças a cada cinco minutos e era isso que eu fazia. Toda vez que elas ameaçavam surgir, eu pensava numa folha caindo lá na rua, em como estava frio pra estação, no livro que queria ler, no que eu ia fazer de almoço ou em qualquer coisa simples que me desviasse daquilo que eu estava prestes a lembrar e aquela agulhada de dor no peito, que já fechava os olhos pra sentir, não vinha. Parece loucura, mas funcionou. Ainda funciona.

O segundo passo depois disso era sumir. Eu sabia que não seria fácil e não queria simplesmente ir embora. Eu precisava deixar uma prova da minha existência, uma coisa simples, que mostrasse pra essa pessoa, disfarçadamente e só se prestasse muita atenção, que minha ausência não significava que eu não a amava. Significava eu precisava ir. E depois disso, as circunstâncias me ajudaram.

Um dia virou dois. Dois viraram três e a cada dia eles aumentam até virarem meses, anos. Eu sei que eles vão aumentar infinitamente daqui pra frente. Mesmo que eu fique todos os dias esperando por qualquer contato, qualquer sinal e fique angustiada quando eles não chegam, sei que se isso acontecer não vai significar que eu posso me animar porque essa pessoa sente minha falta como sinto a dela, sei também que vou fazer isso mesmo assim. Isso tudo ao mesmo tempo que, a cada dia sem contato, eu penso que não significo nada, que a pessoa em questão nem sequer notou a ausência. Que lá um dia, depois de anos quando ela me ver, vai pensar “Nossa, quanto tempo! Eu tinha me esquecido completamente...”

No fundo, eu sei que com essa ausência eu queria que minha falta fosse sentida e alguém voltasse correndo pra mim, mesmo sabendo que não vai ser assim. A cada dia que passa nossa antiga rotina se desfaz, uma nova rotina se inicia, em pouco tempo a antiga rotina não vai ser sequer lembrada. Tudo bem, é assim que tem que ser. É a única maneira pra mim, não consigo pensar em nenhuma outra que vá funcionar.

Existe um plano, pra qualquer ser pensante existe um plano. Admitir, sofrer, se afastar, desfazer a rotina, criar outra rotina, colocar alguém no lugar. Seguir em frente com uma marca, ainda vai ser seguir em frente.

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Peço que não dêem muita atenção a isso, uma vez meu pai quis me mandar pro psiquiatra depois de ler uns poemas do meu diário. Acho que tenho tendências meio dramáticas desde os 11 anos de idade, talvez até menos. Eu tenho essa estranha obesseção por sentimentos de angústia, parecem tão intensos, né?






15/11/2009

Nostalgia do Futuro

— Você tem nostalgia do futuro?

— Não posso ter nostalgia de algo que ainda não aconteceu.

— Isso é o que você acha. Todos sabemos mais ou menos o que vai nos acontecer, visto que na maior parte das vezes escolhemos nosso futuro. Esse é o truque dos verdadeiros adivinhos.

— Do que você está falando? — disse, aceitando a intimidade.

— Ler o futuro é como jogar xadrez. Um jogador modesto pode prever as próximas duas ou três jogadas que acontecerão no tabuleiro. Um bom, muitas mais. E uma questão de lógica e coerência.

— E você tem sido capaz de prever qual é o caminho que sua partida seguirá.

— Sim. Antes do xeque-mate acontecerão aventuras apaixonantes. Por isso tenho nostalgia do futuro. Vai ser uma maravilha e gostaria de já estar lá.
Trecho do livro: Amor em Minúscula - Francesc Miralles

O único problema nessa lógica toda é se o futuro não é bem como você espera e nesse processo de espera você perdeu o presente... mas eu amo esse livro e recomendo pra quem tiver um gosto parecido com o meu. Só de lembrar dele me dá saudade e vontade de ler de novo.

02/10/2009

Nos tempos de Escola (Parte 5)

Como já disse, a razão de eu ser odiada durante o ensino fundamental ainda não são bem claras para mim. Mas se eu tivesse que arriscar um palpite, eu diria que era porque eu falava o que sentia, o que pensava e o que dava na telha. E naquela época, nenhuma dessas coisas era geralmente interessante ou amigável. Sendo assim, a proposta de um jogo da verdade na 7ª série não me causava o menor temor.

Era um sábado e somente alguns alunos estavam em aula. Lembro de estar conversando com a Viviane e ter surgido o assunto sobre o Gil. Aparentemente ela estava ficando com ele. Ela comentava como ele era bonito e eu respondi indiferente que não concordava nem um pouco.

Mais tarde, a professora propôs um jogo da verdade e explicou as regras do jogo, que eu levei muitio a sério, principalmente a parte sobre ser proibido mentir.

Em determinado momento, a pergunta direcionada para mim foi justamente a que tinha me sido feita meia hora atrás no pátio: Tu acha o Gil bonito?

Minha resposta foi um sonoro "não" que caiu como uma bomba dentre o pequeno grupo.

A professora ainda tentou remendar a situação e fazer eu tomar consciência de alguma forma, dando um pequeno discurso sobre como as pessoas tem tipos diferentes de beleza etc, mas eu continuei firme na minha resposta.

De verdade, naquele momento eu percebi que eu não sabia se ele era bonito ou não. Eu nunca tinha parado para observar. Eu o via da mesma maneira que via a grande maioria das pessoas, com indiferença. Eles eram invisível. Como se eu nunca tivesse notado a presença delas ali. Eu notava a presença dele pela primeira vez. Mas como eu poderia mudar a minha resposta com a Viviane presente se ela já ouvira a minha opinião anteriormente? E sendo assim, eu simplesmente me mantive no não.

Obviamente eu me arrependi ao ver a expressão dele ao receber a resposta. Eu era um monstro, mas hoje em dia eu provavelmente sou upior.

Ainda espero sinceramente bater com ele por ai, perceber que de verdade ele era meu tipo e de quebra levar um bom e merecido fora dele pra aprender o que é bom.

Nos tempos de Escola (Parte 4)

Na 5ª série eu era o bobo da corte. Chegou a um ponto em que, se um giz quebrasse a culpa era minha, se eu fizesse qualquer comentário a turma inteira fazia troça num coro que provavelmente me parecia bem mais alto do que realmente era.

Eu me sentia oprimida e diminuida e tentava manter a cabeça erguida, muito embora imaginasse que todo mundo sabia o quanto cada comentário me machucava.

Anos depois, já no ensino médio quando tudo isso era apenas uma lembrança ruim, foi uma surpresa quando a Marilia, que tinha estudado comigo durante todo o fundamental e continuou por todo o médio, comentou que admirava como eu não deixava a maneira como me tratavam me afetar, pois se fosse com ela, teria sido muito difícil. Eu confessei que aquilo me afetava e muito. Ela disse que jamais imaginaria, pois eu continuava sendo sempre a mesma coisa, fazendo os mesmos comentários, usando o tipo de roupas que queria*, como se a opinão dos outros pouco me importasse.

Fiquei especialmente orgulhosa em descobrir que a impressão que eu passava era de total descaso com a situação.

* por um tempo eu usei vestido com calça lag e um laço na cabeça, que hoje é moda, com excessão do laço, mas na época quem usava só podia ter saído de um filme dos anos 80 ou ser maluco.

01/10/2009

Nos tempos de Escola (Parte 3)

Se houve um bilhete que eu não pude ler na primeira série, na quarta houve uma carta cujo conteúdo eu preferia não ter conhecido.

Certa vez eu fui chamada por um grupinho na hora da saída a fim de que eu pudesse ouvir uma menina chamada Edna, ler uma suposta carta de amor e convite para namoro de um menino que era novo na escola e, diga-se apenas que ele não se encaixava bem no perfil de menino que eu me imaginava andando de mãozinha pelo colégio.

Eu ouvia tudo mas não entendia nada. Minha atenção estava constantemente sendo desviada para o grupinho que estava ali reunido ouvindo a leitura da carta e morrendo de rir da minha cara. Lembro especialmente do Diogo, que ria sem disfarçar e batia na própria pasta. Tolinha como era, não notei que isso tudo indicava que quem tinha na verdade enviado a cartinha eram essas pestinhas, e sendo assim fiz da vida do menino que supostamente assinava a carta, um verdadeiro inferno. E não adiantava os outros me dizerem que não ele era inocente. O estrago estava feito, era irracional. Eu odiava o menino com todas as minhas forças.

Nos tempos de Escola (Parte 2)

Se para muitos o ensino médio foi um período negro, para mim negro mesmo foi o fundamental. Até os dias de hoje eu não sei exatamente a razão, mas todos me odiavam. Mais um tremendo mistério é, como nessas circunstâncias eu consegui ser eleita representante de classe na 3ª série, que se a professora não me odiasse também, teria me deixado exercer o cargo.

Lembro de ter sido indicada e sentir o rosto avermelhar. Eu queria ficar indiferente, mas não conseguia impedir o sorriso largo surgindo no rosto, simplesmente não conseguia esconder. Era a primeira vez - e talvez a única - que eu ganhava em alguma coisa. Eu não sabia a razão, mas não importava. Eu estava feliz.

Acabei indo com mais alguns indicados pra frente do quadro negro. Ficamos ali enfileirados, nervosos e assustados, enquanto os alunos votavam novamente. Foi uma sensação estranha ver todos votando em mim. Tão estranha que quando foi a minha vez de votar eu não achei certo votar em mim mesma. Achava estranho admitir que queria ganhar. Fiquei embaraçada e acabei votando em outro.