20 de jun de 2012

Mudanças


Como saber se o caminho que tomamos é o certo? Na maioria das vezes, não sabemos. Mas ela desconfiou que havia virado uma esquina errada pela primeira vez, no ônibus de volta para casa. “É isso mesmo que eu quero?” foi o pensamento que lhe ocorreu.

Era o que parecia uma oportunidade para crescer, uma chance de mudança. Mas sentia uma saudade imensa de casa, sentia-se sozinha e perdida, como se não pertencesse aquele lugar. Olhava em volta e não via ninguém conhecido. Em compensação todos que via, diferente dela, pareciam se sentir em casa. Quem diria que alguns quilômetros fariam tanta diferença. Invejava aquelas pessoas que eram felizes como ela lembrava de ter sido. 

Tentou fazer o que sempre a fazia se sentir melhor. Colocou os fones de ouvido com as músicas que sempre a inspiravam e tentou observar a paisagem que passava na janela. O sol começava a se pôr  e a luz alaranjada dava uma sensação acolhedora e embelezava qualquer ambiente, mas não conseguiu ver beleza nenhuma. Respirou fundo, fechou os olhos e pensou que tudo ficaria bem, que se acostumaria e que veria novamente aquela beleza nas pequenas coisas em breve, logo que se acostumasse. As mudanças eram assim mesmo. Mas nada mudou. A sensação inquietante continuou ali.

Mais algum tempo passou e ela continuou insistindo e se esforçando para se encaixar. Mas notou que faltava muita coisa e uma das principais era que ela não tinha tempo para ser ela mesma. No fundo, ela sempre teve a teoria de que desempenharia qualquer tarefa, mesmo que massante, se lhe fosse possível ter ao menos um punhado de coisas que ela gostava. Seus livros, suas músicas, sua criatividade, um tempo só seu. Ela olhava a mala cheia desses acessórios que ela tinha levado consigo, na tentativa de se sentir um pouco mais em casa. Nada havia sido mexido, simplesmente não havia tempo.

Chegou um momento em que ela percebeu que precisava decidir o que era mais importante. Maior estabilidade ou mais tempo para perceber aquelas pequenas coisas que ela aprendeu a valorizar? E então, ela escolheu ser feliz com as coisas simples.

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