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26 de mar. de 2010

Momentos de Perfeição

Não era o que ela fazia sempre. Talvez por isso ela estivesse tão perdida em pensamentos. Não havia ninguém para atender e ela aproveitava o momento para fazer o que havia sido pedido. Ela não queria que nada ficasse errado, não queria esquecer de nenhum detalhe. Segurando a vassoura na mão, varria o chão cuidadosamente, enquanto repassava tudo que precisava fazer antes de ir embora dentro de poucos minutos. Limpar o chão, desligar a estufa, empacotar o pão, tapar os frios, desligar as luzes.

Tendo terminado de varrer, ela se virou para largar a vassoura no lugar correto e viu um vulto do outro lado do balcão. Havia um cliente, um senhor na faixa dos sessenta anos. Rapidamente ela se aproximou para atendê-lo. Ela teve a impressão de ele já estava ali havia algum tempo, mas ele não parecia apressado ou aborrecido com a falta de atenção, ele apenas observava em silêncio. Mesmo assim ela se desculpou por não tê-lo visto. Ele continuava com o olhar sonhador, debruçado no balcão. Respondeu que ela estava tão entregue ao serviço que executava, tão compenetrada, que ele não se atreveu a interrompê-la.

Ela sabia exatamente do que ele falava. Ele falava dos momentos de perfeição. Pequenos momentos em que a vida simplesmente parece uma poesia. Sabia também que são poucas as pessoas que conseguem captá-los. A maioria delas passa apressadamente por eles e nem nota. Ela mesma gostava de colecioná-los. Agora estava surpresa por ter encenado um deles.

A moça olhou para baixo e sorriu um tanto envergonhada, sentindo que havia sido pega em flagrante. O homem notou e modificou a expressão sonhadora para a expressão prática que usamos no dia-a-dia e começou a fazer o pedido, mudando de assunto. Deixando a vida seguir seu rumo, deixando o momento de perfeição para trás.


Sim, as pessoas tem momentos de perfeição. Às vezes nem se dão conta disso. Já vi pessoas caminhando em pura luminosidade pela praia. Ou, então, às vezes, um certo perfil num restaurante ou num teatro. Em Tracunhaém, lá em Pernambuco, vi uma artesã sentada no pobre chão de sua casa fazendo uma bela escultura de barro: era de uma comovente perfeição. O momento de esplendor de uma pessoa , no entanto, nem sempre é aquele em que ergue um troféu. Pode ser aquele em que distraído na varanda da casa ou da fazenda passa em revista vida interior.”


Trecho de extraído do livro “Que Presente Te Dar”de Affonso Romano de Sant'Anna


4 de ago. de 2006

As três bibliotecárias

Lembro vagamente que, numa manhã fria que a Isa não foi à aula, eu e a Graci ficamos na biblioteca fazendo um trabalho de português, quando a bibliotecária adorou um poema de minha autoria que estava sobre a nossa mesa. O engraçado é que, aquela mulher que tanto ficou admirada naquele dia, pedindo inclusive que eu autografasse o poema que dei a ela, no dia seguinte nem se lembrava quem eu era. Mas essas coisas acontecem, principalmente com bibliotecárias. Neste mesmo colégio, eu e minhas colegas, concordamos que definitivamente elas eram muito estranhas.

Eram três mulheres que trabalhavam na biblioteca do colégio: a primeira era negra, bem gordinha e parecia estar sempre fazendo um grande esforço físico pelo simples fato de preencher uma ficha ou esticar um braço. Ela gemia como se a roupa a apertasse ou algo do tipo. Ela sorria debilmente tentando ser gentil, mas parecia em outro lugar, como que não se interesse no que dizíamos e acabava dando sempre a mesma resposta.

Certa vez precisei retirar um livro, e ela me advertiu: "Para retirar o livro, só deixando a identidade...". Ela dizia a última palavra como se engolisse "e" do final. O fato é que eu ainda não tinha identidade. Tentei explicar isso a ela, dizendo que eu precisava muito do livro, mas ela era indiferente ao que eu dizia, repetiu a mesma resposta: "Para retirar, o livro só deixando a identidade...". Tentei explicar novamente minha posição desesperadora, afinal o trabalho era em grupo e essa era minha parte, como eu poderia prejudicar também minhas colegas? O xerox ficava logo na esquina, insistí. E novamente ela novamente repetiu: "Para retirar, o livro só deixando a identidade...". Depois disso eu posso garantir que eu tratei de mandar fazer minha identidade. E por fim, o fato mais importante era que quando ela andava, arrastava os tamancos gigantescos, que pareciam de madeira. E por causa disso nós a apelidamos de "tia dos Tocos".

A segunda, era uma senhora idosa, que pensava ser muito elegante. A primeira vez que a ví, ela estava com um sapato de salto tão grande que mal podia se equilibrar e vestindo uma saia super antiga, daquelas que tem um fecho atrás, este aberto, até um pouco mais do meio, por descuido. Ela andava empinada imaginando que aquilo era etiqueta. O rosto com a pintura mais exagerada do que se possa imaginar: tinha ruge nas maçãs do rosto, o que nem era tão ruim por ser um tipo de pintura que nem é mais usada, mas sim pelo fato ela simplesmente não tinha se dado ao trabalho de espalhá-lo no rosto. Nos olhos, um rosa bem forte e a boca emplastada de batom, que pelo jeito era já muito velho. E assim ela permaneceu andando e se "maquiando" por todos os três anos que a ví quase todas as manhãs. Quando eu pensava que não podia ser pior, fui surpreendia quando ela resolve acumprimentar alguém com um "oi". Ela tinha a voz do tipo das mais estranhas que existem. Gasguita e irritante, que rasgam o ouvido e dão uma tremenda vontade de rir. Por incrível que pareça, não chegamos a dar um apelido à ela.

A terceira é que a foi citada no primeiro parágrafo. Ela até parecia ser normal e sipatizava com ela. Mas comecei a pensar que ela era meio perturbada psicologicamente, passava por algum tipo de depressão ou algo parecido. Só podia ser, era a única coisa que, para mim na época, explicava as atitudes dela. Tinha dias que ela se mostrava sem a mínima vontade nos atender, irritada e estressada, enquanto que, em outros era gentil e prestativa chegando a nos contagiar. Sem contar que ela não se lembrava de nada, como já citei antes. Às vezes penso que poderia ela estar ficando realmente pior por trabalhar com as outras duas.

Por mais estranho e maldoso que tudo isso pareça, é só um relato de como eu e minhas amigas víamos essas mulheres naquela época. Atualmente é provavel que a nossa opinião não seria tão crítica quanto à mesmas. Do contrário, hoje eu me ponho no lugar delas e penso como não seria difícil aguentar todos aqueles jovens que entram pela porta dando gargalhadas e falando de coisas estranhas. Quem sabe não fôssemos nós as estranhas e não elas? Independente de qualquer coisa, pra mim elas sempre vão continuar lá, andando, se vestindo e agindo daquela maneira, com suas características peculiares que as tornaram dignas de serem lembradas.

Uma pequena explicação a cerca do texto: Eu escreví quando cursava o ensino médio uns 6 ou 7 anos atrás. Por problemas de formatação do computador eu achava que havia perdido o texto pra sempre. Porém a Isa tinha uma cópia guardada e me emprestou pra copiar. Agora, resolví publicar.

8 de abr. de 2006

Puta de Las Vegas

* Se os texto estiver mal codificado, vá em exibir > codificação > unicode do seu navegador *

O professor Julio, leu esse texto pra turma do cursinho na quinta-feira. Adorei e procurei na internet pra publicar. Tem palavrão. Mas tem alguém que seja muito puritano aqui? Hum... Tem uma sim... e não adianta negar dona R. (não vou dizer o nome todo senão me mata) tu é puritana sim. ¬¬

Voltando ao assunto, me identifico muito com o Julio, não conversei ainda com ele (ao menos não verbalmente). Durante a aula eu fico super empolgada, querendo comentar tudo. É como se aquela análise toda fosse uma filosofia. Eu gosto tanto, simplesmente flui.

Todos os professores do cursinho são ótimos, mas os que mais chamam a atenção são o este (Júlio, compreensão textual) e o Maurivan (Biologia). O que se destaca neles, é que se consegue ver claramente a paixão que eles tem pelo que ensinam. É clichê eu sei, mas os olhos deles brilham mesmo. Percebe-se que eles estão falando de algo que realmente amam.

Isso faz toda a diferença. Não acredito que a profissão ideal seja aquela que te deixa "podre de rico" e sim aquela que te permita trabalhar com a tua vocação dia após dia. Espero que no caminho que eu escolher, seja ele qual for, eu possa ter essa mesma empolgação e realização que eles tem na que escolheram.

O texto então:

Puta de Las Vegas

Um cara, andando pelas ruas de Las Vegas vê uma prostituta maravilhosa. Ele inicia uma conversa amigável e acaba fazendo a grande pergunta...
- Quanto você cobra? Ela responde...
- Começa em $500 por uma punhetinha Ele responde...
- $500 dólares?!? Por uma punhetinha? Não pode ser... Nenhuma punheta vale tanto dinheiro! A prostituta responde...
- Você está vendo aquele restaurante na esquina?
- Sim. Ele responde.
- E você está vendo aquele outro restaurante uma quadra abaixo?
- Sim. Ele responde novamente. Bem, ela diz, com um sorriso maroto, eles são meus por que eu toco uma punheta que vale $500. Consegui eles só com o dinheiro das punhetas.
O cara pensa... - Puta merda!!! A gente só vive uma vez. Vou nessa!!! Eles entram em um hotel ali perto. Daqui a pouco ele senta na cama e vê que acabou de ter a melhor punheta do mundo, não acreditava que uma punheta pudesse ser tão boa, e que valeu cada um dos $500 dólares. Ele está tão impressionado que diz:
- Um boquete deve ser uns $1.000.
- Não, $2.000. Ela responde. Ele, em completo estado de choque.
- Não é possível!!! Um boquete não pode custar $2.000 dólares. Nem o Bispo Macedo pagaria isso por um boquete. A puta responde...
- Venha até a janela bonitão, você está vendo aquele Cassino do outro lado da rua? Com um helicóptero na cobertura? Aquele Cassino e o helicóptero são meus, porque eu dou um boquete que vale $2.000 dólares. O cara pensa na punheta e no gozo fantástico e decide adiar a troca do carro pro ano que vem.
- Vamos nessa!!! Dez minutos depois, ele está sentado na cama, mais maravilhado ainda. Ele mal consegue acreditar, mas valeu cada centavo de seu dinheiro. Ele decide meter a mão na poupança por uma experiência inesquecível. Ele pergunta...
- E quanto é a bucetinha? $5.000? A puta responde...
- Venha até a janela. Você está vendo toda a cidade de Las Vegas? Com todas as suas luzes brilhantes, cassinos, hotéis maravilhosos, casas de show e restaurantes?
- Maldição!! Responde o cara, - Vai dizer que você é dona de tudo?
- Não, mas seria se eu tivesse uma bucetinha!!